| |
Flavio Rodrigues Duarte
Educador Físico do CIAAP
(CREF 010965-G/MG)
A globalização, os meios de comunicação, a informática e o meio tecnológico como um todo, evoluiu de forma espantosa nas últimas décadas. Por conseguinte o ser humano, que dentro de seu processo evolutivo, que sempre foi fisicamente ativo, passou a contar com a facilidade que os meios tecnológicos proporcionaram a sua vida diária, tornando–o cada fez menos ativo fisicamente (PINTO,SOUZA, 2007).
Essa inatividade física, denominada sedentarismo, vem trazendo, a muitos trabalhadores, problemas de saúde como: excesso de peso, dislipidemias, hipertensão, sobrecarga nas estruturas oste–mio–articulares como a D.O.R.T, estresse e depressão que podem levar o empregado a não produzir de forma satisfatória e até mesmo afastá–lo de suas funções por tempo indeterminado.
Segundo Fox, Mathews apud Pinto, Souza (2007), duas das principais causas que têm afastado trabalhadores é o estresse e uma mesma postura mantida por tempo prolongado. O estresse que pode apresentar diversas causas afeta diferentemente as pessoas, não sendo possível estabelecer uma única forma de preveni–lo e combatê-lo. Já as posturas mantidas por tempo prolongado levam a uma continua tensão dos músculos solicitados, levando a uma sobrecarga nas articulações, distúrbios circulatórios e metabólicos causando dor e desconforto muscular.
Como forma preventiva e de melhora da qualidade de vida as empresas vem investindo na Ginástica Laboral associada à ergonomia. A ergonomia que configura, planeja e adapta o homem, por definição é um conjunto de conhecimentos científicos, necessários a concepção de maquinas e posturas que possam possibilitar o máximo de conforto, segurança e eficiência em seu local de trabalho. A ginástica laboral consiste em exercícios específicos realizados no próprio local de trabalho de forma coletiva atuando de forma preventiva e terapêutica (MARTINS, DUARTE, 2000).
De forma planejada e sistematizada a ginástica laboral visa diminuir o número de acidentes de trabalho, prevenir doenças causadas por traumas cumulativos, prevenindo fadiga muscular, corrigindo vícios posturais, aumentando a disposição do funcionário e promovendo maior interação no ambiente de trabalho.
Segundo Dias apud Martins, Duarte (2000), desde 1989 na fabrica de tintas Renner (Porto Alegre, RS), após implantação da ginástica laboral houve: diminuição da procura ambulatorial, diminuição do afastamento do serviço, aumento da disposição no trabalho, diminuição da procura do sindicato com reclamações referentes a doenças profissionais, melhoria das dores articulares e musculares e melhoria do relacionamento interpessoal no ambiente de trabalho.
Em estudo feito por Martins, Duarte (2000), com 26 funcionários foi aplicado uma série de testes físicos e questionários que mediam a flexibilidade, força, percentual de gordura e pressão arterial. Durante 15 minutos por 3 vezes na semana durante o período de 4 meses, os funcionários participaram de 54 sessões de ginástica laboral. Também tiveram palestras mensais e foram expostos a dicas semanais sobre atividade física e saúde. O que se observou foi um melhora estatisticamente importante nas variáveis apresentadas à cima, sendo que o programa foi capaz de implementar alterações no estilo de vida de seus participantes.
Estatísticas têm mostrado que o número de DORT (distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho), tendo como vitimas os digitadores, bancários, telefonistas, operadores de caixas registradores, operários de linha de montagem nas fabricas, auxiliares de enfermagem e muitos outros tem aumentando de forma exponencial (PRZYSIEZNY, 2007).
As estatísticas são realmente preocupantes. Segundo as últimas pesquisas realizadas com funcionários de banco, num período de cinco anos, observou-se que alguns chegavam a ficar 11 meses afastados do serviço por causa da DORT, alguns se aposentavam por invalidez, já que em estado avançado da doença, não são capazes de segurar numa caneta por falta de força. Médicos e terapeutas afirmam que a prevenção é a principal maneira de combater a DORT (www.vitalqualidadedevida.com.br).
Preocupadas com essa situação as empresas tem dado uma maior atenção à qualidade de vida no trabalho, na esperança de promover maior motivação e envolvimento de seus empregados, proporcionando um aumento na produtividade.
A ginástica laboral adaptada para as necessidades impostas para o tipo de trabalho, realizada no próprio local com curto período de tempo ao longo da semana, pode produzir resultados positivos para os funcionários e para empresa (http://200.231.32/sesc/convivencia/ler/04_prevencao.htm).
Contudo é necessário que o exercício seja planejado e contenha as doses certas de intensidade, duração e freqüência. Já relatava Matsudo (1996) em seus estudos: “Com um mínimo de atividade física se consegue um grande benefício à saúde”.
Os custos de programas como esses se tornam irrisórios para as empresas, comparado com os benefícios de saúde alcançados por seus empregados e o aumento futuro na produtividade de sua empresa.
Sendo assim, o Centro de Integração e Apoio ao Adolescente de Patrocínio (CIAAP) tem disponibilizado aos colaboradores do Centro, horários específicos com o Educador Físico para avaliação física, testes físicos, prescrição do exercício físico e orientações sobre atividade física e hábitos saudáveis dentro do trabalho e na rotina diária de vida, visando à melhora da saúde e qualidade de vida de seus empregados. |
|